nº 2/2018


Ficha Técnica


COGEP

Coordenação Geral de
Planejamento Estratégico da Dívida Pública


Coordenador Geral
Luiz Fernando Alves

55 61 3412-3188/34121565
luiz.alves@tesouro.gov.br

Coordenadora
Lena Oliveira de Carvalho

55 61 3412-3188/3412-1565
lena.carvalho@tesouro.gov.br


Gerente Gepec
Mariana Lopes Leal

55 61 3412-1411
mariana.lopes@tesouro.gov.br

Equipe Técnica
Gian Barbosa da Silva

55 61 3412-3190
gian.silva@tesouro.gov.br

Jailison W Silveira

55 61 3412-3185
jailison.silveira@tesouro.gov.br









Resumo


O cenário internacional nos últimos meses seguiu desafiador e bastante volátil, tendo como pano de fundo alguns aspectos cruciais, tais como: o fortalecimento do dólar, expectativas de aumento dos juros nos EUA, permanência de tensões comerciais (guerra comercial) e geopolíticas e diferenciação dos preços dos ativos entre os países emergentes. Esse cenário, bastante volátil, foi acentuado pelos sinais de desaceleração das economias europeia e chinesa e pelo enfraquecimento do comércio mundial..

As contas externas permanecem com desempenho bastante positivo no ano e o financiamento do déficit, via principalmente influxo de IDP (Investimento Direto no País), ocorre de forma bastante confortável.

A atividade econômica parece ter voltado “ao normal” já em junho, podendo até ter ficado em um nível um pouco superior ao observado em abril. Porém, a forte retração dos principais indicadores no mês de maio, como consequência da greve dos caminhoneiros, provavelmente implicou na queda do nível médio do PIB no segundo trimestre. O PIB do 2T18, que será divulgado no dia 31 de agosto, deve ter crescido algo próximo a 0,2%, abaixo do valor registrado no 1T18. Nossa expectativa para o ano foi revisada para 1,44% (ante projeção de 1,84%). .

Os riscos inflacionários se amenizaram em julho. Além do recuo na margem (0,64% no IPCA-15 de julho), observou-se a interrupção da intensa depreciação cambial iniciada em maio. Para 2018, os resultados baixos do início do ano construíram espaço favorável e, em virtude das suas defasagens, a política monetária deixa de responder as perspectivas para 2018, sendo mais importante a propagação dos choques para a inflação dos próximos anos. Para 2019, o cumprimento da meta dependerá muito da trajetória da taxa de câmbio (e da recuperação da atividade econômica).

No fiscal, não há dúvidas de que a greve dos caminhoneiros representou um custo fiscal adicional. No entanto, alguns fatores compensatórios sustentam a leitura de cumprimento da meta de resultado primário sem maiores sustos, tais como as surpresas no resultado da arrecadação nos primeiros meses do ano, despesas não realizadas e expectativas positivas em relação a cessão onerosa do petróleo.

O Cenário eleitoral ainda continua com elevado grau de incerteza. No entanto, as convenções partidárias e a costura de alianças contribuem para reduzir esse nível. De qualquer forma, para fins de perspectivas econômicas, as incertezas devem permear o cenário até a conclusão do processo eleitoral.




Projeções

Projeções de Mercado



Instituições PIB Real (%a.a) IPCA (%a.a) Selic (fim de período) Câmbio (fim de período) Déficit Transações Correntes (%PIB) Resultado Primário do Setor Público (%PIB)
Credit Suisse 1.8 4.2 6.5 3.7 1.2 -2
Bradesco 1.5 4.1 6.5 3.6 US$ 1,8 bi R$ -159 bi
Itaú Bba 1.3 4.1 6.5 3.9 0.9 -2.1
4E Consultoria 1.4 4 6.5 3.5 1.3 -1.8
Tendências 1.7 4.3 6.5 3.5 0.9 -2.1
Banco Votorantim 1.8 4 6.5 3.5 1.5 -2
Santander 2 3.5 6.5 3.5 0.8 -2.3
Focus* 1.5 4.1 6.5 3.7 US$ 18,15 bi -2
COGEP/GEPEC 1.4 4.1 6.5 3.6 0.6 -2.2

Elaboração Gepec

Projeções Gepec



2018
2013 2014 2015 2016 2017 Cogep Focus*
PIB
Crescimento real (% a.a) 3.00 0.50 -3.55 -3.46 0.98 1.44 1.5
Crescimento nominal (% a.a) 10.73 8.39 3.75 4.39 4.80 6.53 nd
PIB em R$ bilhões 5331.62 5778.95 5995.79 6259.23 6559.94 6988.25 nd
Deflator 7.50 7.85 7.57 8.14 3.78 5.02 nd
Inflação
IPCA 5.91 6.41 10.67 6.29 2.95 4.10 4.11
IGP-DI 5.53 3.78 10.68 7.15 -0.42 8.08 7.68
IGP-M 5.53 3.67 10.54 7.17 -0.53 8.00 7.74
Taxa de Câmbio
R\(/US\) - final de período 2.34 2.66 3.90 3.26 3.31 3.65 3.7
Taxa de Juros
Taxa SELIC - meta em final de ano 10.00 11.75 14.25 13.75 7.00 6.50 6.5
Contas Externas
Exportações (US$ bi) 241.58 224.10 190.09 184.45 217.24 230.99 229.45
Importações (US$ bi) 241.19 230.73 172.42 139.42 153.21 176.07 170.4
Balança Comercial (US$ bi) 0.39 -6.63 17.67 45.04 66.99 54.92 58
Conta Corrente (US$ bi) -74.84 -104.18 -59.43 -23.55 -9.76 -11.87 -18.15
IDP (US$ bi) 69.69 97.18 74.72 78.25 70.69 74.53 67
Fiscal
DBGG (% PIB) 51.54 56.28 65.50 69.95 74.04 76.40 nd
DLSP (% PIB) 30.50 32.59 35.64 46.22 51.59 53.20 54.25
Resultado Nominal SP (% PIB) 2.96 5.95 10.22 8.99 7.80 6.10 7.4
Resultado Primário SP (% PIB) -1.71 0.56 1.86 2.49 1.69 2.20 2
Indicadores Internacionais
Fomc (% a.a) 0.25 0.25 0.50 0.75 1.50 2.50 nd
* Relatório de mercado Focus - 06/08/2018

Elaboração Gepec




Economia Internacional


* O PIB dos Estados Unidos cresceu 4,1% no segundo trimestre de 2018, em termos anualizados e em comparação com o período imediatamente anterior, conforme primeira estimativa divulgada BEA (Bureau of Economic Analysis). O resultado representa um avanço em relação à leitura anterior (referente ao primeiro trimestre) cujo dado foi revisado de 2,0% para 2,2%. A robustez dessa variação entre abril e junho decorre sobretudo do aumento substancial da contribuição do consumo privado, que passou de 0,36 p.p. no resultado do primeiro trimestre para uma contribuição de 2,69 p.p. nesta última leitura. Diante desse cenário, o FED não tende a mudar as suas percepções, devendo aumentar a taxa de juros em mais duas oportunidades até o final do ano.

  • Na reunião do FED, realizada no dia 1° de agosto, a autoridade monetária decidiu pela manutenção dos juros no patamar atual (entre 1,75% e 2,0%). O FED continuará comprometido com seu programa de normalização monetária, provavelmente promovendo mais duas elevações nos fed funds em 2018 (totalizando quatro altas), sendo que o próximo movimento de alta já é esperado para setembro, enfatizando que a atividade econômica segue em ritmo forte e os riscos à economia são vistos como equilibrados. Além disso, o índice de preços dos gastos pessoais em consumo (PCE), principal referência de inflação do Fed, manteve-se próximo de 2% (meta de inflação do Fed), o que reforça a necessidade do banco central norte-americano dar continuidade ao processo de normalização da política monetária.

  • Na Zona do Euro, o importante desapontamento com a atividade econômica no 1° tri/2018 foi marcado, sobretudo, por fatores temporários: clima mais adverso; greves em importantes países e setores e; uma epidemia de gripe no continente. Além disso, questões políticas na Itália e na Alemanha, além da maior incerteza global derivada da agenda comercial americana, tiveram um papel importante, particularmente, nos níveis de confiança. No entanto, indicadores mais recentes já apontam para uma estabilização da atividade subjacente e, permanência dos fundamentos favoráveis. O BCE anunciou que vai manter seus programas de compras ao longo de 2018 (até dezembro) e as taxas de juros em terreno negativo até, ao menos, a primeira metade de 2019.

  • Na China, o crescimento do PIB (variação anual) desacelerou modestamente de 6,8% para 6,7% no 2º tri/18, sobretudo em resposta a uma menor contribuição positiva do setor externo. Os riscos de desaceleração mais intensa têm crescido, fruto da expectativa de um mais fraco impulso creditício/monetário e de intensificação do efeito das restrições sobre o comércio do país (os EUA são destino de 19% das exportações chinesas). Contudo, mais recentemente as autoridades adotaram uma postura mais flexível no tocante às políticas monetária e fiscal, que devem reduzir as chances de desaceleração mais aguda.

O cenário internacional nos últimos meses seguiu desafiador e bastante volátil, tendo como pano de fundo alguns aspectos cruciais, tais como: o fortalecimento do dólar, expectativas de aumento dos juros nos EUA, permanência de tensões comerciais (guerra comercial) e geopolíticas e diferenciação dos preços dos ativos entre os países emergentes. Esse cenário, bastante volátil, foi acentuado pelos sinais de desaceleração das economias europeia e chinesa e pelo enfraquecimento do comércio mundial.






Contas Externas

Déficit em conta corrente segue bastante confortável

  • Em junho, o saldo em transações correntes ficou em US$ 435 milhões. O resultado foi inferior ao superávit obtido em junho de 2017 (US$ 1,3 bilhão), reflexo do menor saldo da balança comercial no mês passado, afetado pelo episódio da greve dos caminhoneiros. O déficit acumulado nos últimos 12 meses é de US$13,9 bilhões, equivalente a 0,70% do PIB.

  • De todo modo, uma leve piora das contas externas em relação a 2017 está de acordo com o esperado para este ano (em virtude da recuperação da atividade econômica em curso), o que não altera o panorama benigno do balanço de pagamentos do País.

  • Os investimentos diretos no país (IDP), principal fonte de financiamento do déficit em transações correntes, exibiram um montante mais robusto em junho, de US$ 6,5 bilhões, após alguns meses de volumes contidos. Destes, US$ 5,3 bilhões foram ingressos destinados à participação em capital, melhor resultado mensal neste ano. É um importante sinal que mostra que, mesmo diante das grandes incertezas políticas, ainda há entradas relevantes de investimentos no Brasil. O IDP acumula influxo de US$64,3 bilhões (3,25% do PIB) nos últimos 12 meses

  • Os investimentos em carteira permanecem bastante voláteis ao longo do ano. As saídas líquidas de ações, fundos de investimento e títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico somaram US$3,1 bilhões. Enquanto os resultados mensais têm apresentado forte oscilação, os fluxos acumulados em 12 meses exibem estabilidade, com ingressos líquidos de US$2,3 bilhões, até junho.



Gráfico 1. Balanço de Pagamentos

Acumulado até junho - R$ bilhões

Fonte: Banco Central. Elaboração Gepec

  • A GEPEC estima déficit em transações correntes de US$ 11.9 bilhões (ou 0,6% do PIB) no ano. O financiamento seguirá bastante confortável, com ingresso de IDP no valor de US$ 74.5 bilhões.

Gráfico 2. Projeção Balanço de Pagamentos

Valores Anuais - R$ bilhões

Fonte: Valores Executados: Banco Central. Projeção e Elaboração: Gepec




Atividade Econômica

Após greve dos caminhoneiros, economia segue recuperação em ritmo lento

  • O IBC-Br registrou queda de 3,3% em maio, a maior da série histórica, iniciada em 2003. O expressivo resultado negativo evidenciou a elevada perda proporcionada pela greve dos caminhoneiros aos principais setores da economia no mês. A produção industrial teve queda de 11%; as vendas do comércio ampliado de 4,9% e o setor de serviços de 3,8%.

  • As perdas da atividade em maio reverteram os resultados predominantemente positivos observados em abril (quando o IBC-Br registrou alta de 0,5%).

  • Para junho, espera-se que os setores mais passíveis de intensificação de suas atividades apresentem elevado crescimento, o que minimizaria as perdas do mês anterior. Tal quadro já é observado no desempenho positivo dos indicadores antecedentes divulgados, com destaque para o crescimento da expedição de papelão ondulado pela ABPO (41,6% em junho ante -24,2% em maio), da produção total de veículos da Anfavea (38,4% ante -27,6%) e das vendas de veículos pela Fenabrave (5,4% ante -11,1%).

  • A produção industrial registrou alta de 13,1% em junho, compensando o forte tombo de maio (-11%). No acumulado do ano, a produção industrial tem alta de 2,3%. Mesmo com resultado positivo, a trajetória da indústria apresentou retração em termos trimestrais. Após a modesta expansão de 0,3% no primeiro quarto deste ano frente ao último trimestre do ano passado, o segundo trimestre registrou queda de 2,5% frente ao primeiro, reforçando que outros fatores além da greve têm afetado a evolução industrial (sobretudo a retomada mais lenta da atividade econômica, rodeada de incertezas políticas e de cenário externo menos benigno aos países emergentes).

  • O resultado do PIB do 2T18 será divulgado no dia 31 de agosto.

A GEPEC estima uma alta de 0,2% para o PIB no segundo trimestre, o que consistiria em uma desaceleração após a expansão de 0,4% no primeiro trimestre do ano. Para o ano, a estimativa da GEPEC é de crescimento de 1,44%, ante projeção de 1,84% na edição anterior.

  • O Banco Central estima crescimento de 1,6% em 2018 (projeção do Relatório de Inflação divulgado no final de junho). A projeção do Relatório de Mercado Focus mais atual é de 1,50%.



Gráfico 3. Variação do IBC-Br

mês/mês anterior

Fonte: Banco Central

Tabela 1. PIB Gepec - 2018

Variação Anual %

Pesos 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Ótica da Oferta
Agricultura 5.2 8.4 2.8 3.3 -4.3 13.0 1.0
Indústria 21.4 2.2 -1.5 -5.8 -4.0 0.0 1.6
Serviços 73.4 2.8 1.0 -2.7 -2.6 0.3 1.4
PIB 100.0 3.0 0.5 -3.5 -3.5 1.0 1.4
Ótica da Demanda
Consumo das famílias 63.5 3.5 2.3 -3.2 -4.3 1.0 2.1
Consumo do Governo 19.9 1.5 0.8 -1.4 -0.1 -0.6 0.0
Investimento (FBCF) 15.8 5.8 -4.2 -13.9 -10.3 -1.8 2.6
Exportações 12.7 2.4 -1.1 6.8 1.9 5.2 3.4
Importações 11.9 7.2 -1.9 -14.2 -10.2 5.0 6.2
PIB 100.0 3.0 0.5 -3.5 -3.5 1.0 1.4

Fonte: Projeções Gepec

Indicadores de Confiança

De uma forma geral, os indicadores de confiança mostraram recuo em junho, por conta do efeito defasado da greve dos caminhoneiros, intensificando uma tendência que vinha desde abril. Com a greve, todos os fatores que vinham influenciando negativamente a confiança se acentuaram, principalmente a percepção sobre o ritmo mais lento de recuperação da economia. No entanto, os últimos índices de confiança divulgados no final de julho mostraram recuperação na margem, com exceção do índice de confiança do comércio.

  • O índice de confiança da Indústria (ICI) ficou estável na passagem de junho para julho.
  • O Índice de Confiança da Construção (ICST) avançou 1,7 ponto na passagem de junho para julho, para 81,0 pontos, recuperando parte da queda de 3,1 pontos verificada no mês anterior, mas seguindo abaixo do nível neutro (100 pontos).
  • O Índice de Confiança de Serviços (ICS) subiu em julho, após quatro quedas consecutivas
  • Índice de Confiança do Comércio (ICOM) recuou em julho, quarta queda consecutiva do indicador.

Gráfico 4. Índice de Cofiança - FGV

Fonte: FGV




Inflação

Meta deve ser cumprida em 2018, mas, para 2019, câmbio será crucial.

  • Na paralisação dos caminhoneiros, não eram muitos claros os impactos sobre a inflação. Além disso, a taxa de câmbio se depreciava e não se sabia em qual patamar se estabilizaria.
  • Para se ter uma ideia, a inflação prevista para junho passou de 0,3% para 1% até a divulgação do IPCA-15. O realizado ficou em 1,26%, levando a inflação acumulada em doze meses a 4,4%.
  • Apesar do discurso de transitoriedade dos efeitos da paralisação dos caminhoneiros, as expectativas para inflação de 2018 se elevaram expressivamente (de 3,5% na primeira quinzena de maio para 4,11% na última semana), mas o impacto foi bem pequeno sobre 2019 (de 4,0% para 4,1% na mesma comparação).
  • Apesar disso, perguntou-se na época quanto do aumento da inflação seria mais permanente. Ou seja, quais seriam os efeitos secundários destes choques?
  • A permanência da ancoragem das expectativas já traz grande parte da resposta. Além disso, ressalta-se a bem menor deterioração das medidas de inflação subjacente. Adicionalmente, já é possível observar expressivo recuo da inflação e a interrupção da intensa depreciação cambial iniciada em maio. O IPCA-15 de julho ficou em 0,64%, um recuo expressivo em relação ao IPCA de junho (1,26%) e no piso das estimativas de mercado.
  • Mesmo que em agosto a inflação não fique muito baixa com a pressão de energia (projetamos 0,3%), em julho a desaceleração deve ser bem intensa com a saída desta influência (para julho, previsões indicam inflação abaixo de 0,10%).
  • Quanto a energia, houve a alteração da bandeira tarifária (para vermelha) e elevados reajustes na tarifa de importantes regiões. Este fator também foi um dos fatores relevantes para a revisão das projeções para este ano.
  • Quanto à pressão da depreciação cambial, os valores baixos de inflação do início do ano abriram espaço considerando o IPCA de 2018.
  • Entretanto, nossas simulações apontam que, para o cumprimento da meta em 2019, é essencial que a taxa de câmbio não permaneça muito depreciada por muito tempo. As simulações apontam que a permanência em 3,80 já levaria ao descumprimento no próximo ano.


Com os impactos da paralisação dos caminhoneiros e os elevados reajustes em energia, revisamos de 3,7% para 4,1% a nossa projeção para o IPCA de 2018. Para 2019, mantemos previsão de 4,0%.


Tabela 2. Núcleos e Aberturas do IPCA


Peso
Contrib.(p.p)
% no mês
% 12 meses
julho/18 julho/18 junho/18 julho/18 julho/17 junho/18 julho/18
IPCA-15 100.00 0.64 1.11 0.64 2.78 3.68 4.53
Monitorados 25.93 0.33 2.40 1.28 3.74 10.22 11.83
Livres 74.07 0.31 0.67 0.42 2.48 1.56 2.17
Comercializáveis 33.28 0.35 0.67 1.06 1.19 -0.36 1.24
Não-Comercializáveis 40.79 -0.04 0.67 -0.11 3.59 3.19 2.95
Livres 74.07 0.31 0.67 0.42 2.48 1.56 2.17
Serviços 35.49 0.20 0.26 0.58 5.51 3.20 3.40
Duráveis 7.66 0.01 0.02 0.16 -0.89 -0.24 0.39
Semi-Duráveis 7.62 -0.01 0.07 -0.11 2.63 1.45 1.38
Não-Duráveis 23.30 0.10 1.72 0.43 -0.70 -0.23 1.18
Núcleo por exclusão - EX 0.00 0.00 0.23 0.33 3.81 2.47 2.78
Núcleo por exclusão - EX2 0.00 0.00 0.50 0.72 4.23 2.91 3.51
Médias Aparadas com Suavização 0.00 0.00 0.41 0.34 4.42 3.33 3.49
Núcleo de Dupla Ponderação 0.00 0.00 0.52 0.45 4.20 3.11 3.44
Média dos Núcleos 0.00 0.00 1.28 1.30 4.16 2.94 3.29
Difusão 0.00 0.00 67.51 55.46 57.31 53.34 54.11




Política Monetária

Enfraquecem as apostas na alta da taxa de juros no curto prazo, mas projeções elevam-se para 2019.

  • Na reunião do Copom de agosto, não houve surpresas, e a taxa Selic de juros permaneceu estável em 6,50%. No comunicado, o tom também foi mantido. Ressaltou-se novamente a piora no cenário externo. E os riscos no cenário político é enfatizado indiretamente pela expressão risco na “continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira”.
  • Entretanto tais fatores são contrapostos pelas expectativas ancoradas e pela baixa inflação corrente, que contribui para “possível propagação, por mecanismos inerciais” para o desempenho futuro dos preços. E, em relação ao último comunicado, o Copom voltou a enfatizar a elevada capacidade ociosa da economia. Um outro destaque foi a permanência do bom desempenho das medidas subjacentes de inflação, principalmente daquelas medidas mais sensíveis à política monetária.
  • O Banco Central também enfatizou que a divulgação dos indicadores tem confirmado o caráter temporário dos efeitos da paralização dos caminhoneiros tanto sobre atividade econômica quanto sobre a inflação. Não houve grandes mudanças nas projeções de inflação da instituição, apenas com ligeira elevação para o IPCA de 2019 no cenário de mercado. Considerando as estimativas de juros e câmbio de mercado, projeta-se 4,2% para o IPCA de 2018 e em 3,8% para 2019 (ante 4,2% e 3,7%, respectivamente, divulgados após a reunião de junho). Com juros e câmbio constantes, as previsões são de 4,2% e 4,1%, mantendo os valores da reunião anterior.
  • Quanto às estimativas de mercado para a taxa de juros, a contenção dos riscos e a posição mais dovish do BC têm causado a perda da força das apostas de elevação da taxa Selic no curto prazo. Por outro lado, observa-se algum aumento das previsões para a taxa Selic final no próximo ano.

*Lembra-se que não faz sentido alterar a taxa de juros neste ano diretamente devido à piora da inflação de 2018, uma vez que um aperto monetário agora já não teria mais impactos significativos sobre o IPCA deste ano. A relevância dos choques seria proporcional ao potencial de propagação para os próximos anos. Mantemos nossa previsão de elevação da taxa Selic a partir de maio do próximo ano, mas aumentamos o patamar esperado ao final do processo, de 8,0% para 8,5%.


Tabela 3. Expectativas da Taxa Selic final de 2018


60 Instituições Quantidade Selic Sobe em ?
Mizuho  Spinelli  Ativa I. 3 entre 6,75 e 7,5
Cenário  Caixa  Canvas Capital  UBS Brasil 4 Igual ou Acima de 8,00
Arbitral Gestão  ARX  Austin Rating  Azimut Wealth Management  AZ Quest  ABC Brasil  BOCOM BBM  Fator  MUFG Brasil  Ribeirão Preto/BRP  Safra  Santander  Sicredi  Votorantim  BNP Paribas  BofA Merrill Lynch  Bradesco  Bradesco BBI  BTG Pactual  Claritas  CM Capital Markets  Daycoval  DimiGroup  Ethica  FLAG  GAP  Garde  GO Associados  Goldman Sachs  Guide  Haitong  Ibre/FGV  Icatu Vanguarda  Itaú Uni JPMorgan  LCA Consultores  Leme  Lopes Filho & Associados  Mapfre  MB Associados  Modal  Mongeral Aegon  Pezco  Porto Seguro  Quantitas  Rabobank Brasil  Rosenberg Associados  SulAmérica  Telefônica/Vivo  Tendências Consultoria  Tullet Prebon  Vintage  Votorantim Wealth  Cogep 53 6.5

Fonte: Agência Estado


Tabela 4. Estimativas para Taxa Selic Final de 2019


60 Instituições Quantidade Selic Final 2019
Azimut Wealth Management  FLAG  Leme  Pezco  Rabobank Brasil 5 6.5
ABC Brasil  Ribeirão Preto/BRP  Santander  BNP Paribas  CM Capital Markets  Ethica  GO Associados  LCA Consultores  Rosenberg Associados  Teleônica/Vivo  Ativa   Safra  Daycoval I. 15 entre 6,5 e 8,0
Arbitral Gestão  AZ Quest  BOCOM BBM  MUFG Brasil  Votorantim  Bradesco  BTG Pactual  DimiGroup  Garde  Guide  Ibre/FGV  Icatu Vanguarda  Itaú Uni Lopes Filho & Associados  MB Associados  Modal  Mongeral Aegon  Spinelli 18 8
Claritas  Goldman Sachs  JPMorgan  Votorantim Wealth 4 8.25
ARX  Austin Rating  Fator  Sicredi  Bradesco BBI  GAP  Haitong  Mizuho  UBS Brasil  Cogep 9 8.5
Mapfre  Tullet Prebon  Porto Seguro  SulAmérica  Vintage  Caixa  Canvas Capital  Quantitas  Cenário I. 5 Acima de 8,5

Fonte: Agência Estado




Política Fiscal

Governo Central apresenta déficit de R$ 32,9 bilhões no ano

No acumulado do ano até junho, o Governo Central apresentou déficit de R$ 32,9 bilhões (frente a déficit de R$ 56,5 bilhões em 2017). A Receita Líquida apresentou crescimento real de 6,3%, em linha com a recuperação da atividade no primeiro semestre e a elevação de alíquotas, a receita administrada cresceu 7,8%. A arrecadação com Cota Parte de Compensações Financeiras apresentou crescimento importante de 35,9%. Por sua vez, a Despesa Total também apresentou crescimento real (2,2%).Contribuiram para isso tanto o crescimento das despesas obrigatórias, sobretudo Previdência (+2,7%) e Pessoal (+0,8%), quanto a retomada do das despesas discricionárias (+7,8%), que havia atingido em dezembro de 2017 o mesmo patamar de 2009.

O Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do 3º bimestre reduziu a estimativa de crescimento do PIB de 2,5% para 1,6%. A projeção de receitas e despesas foi elevada, e o espaço para o cumprimento da meta fiscal diminuíodo. Segundo o relatório, o resultado primário deve ficar R$ 1,8 bilhão abaixo da meta.


Gráfico 5. Resultado Primário do Governo Central

Acumulado até junho - R$ bilhões - IPCA

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: Gepec.

Gráfico 6. Resultado Primário do Governo Central

Acumulado 12 Meses - R$ bilhões - IPCA

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: Gepec.

Tabela 5. Receita e Depesas Primárias do Tesouro Nacional

Acumulado até junho - R$ bilhões - IPCA

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: Gepec.

O Novo Regime Fiscal

O Novo Regime Fiscal (Teto dos Gastos) limita o crescimento das despesas primárias do Governo Central à inflação passada (IPCA). Em 2017, excepcionalmente, o reajuste foi de 7,2% das despesas primárias registradas em 2016. As despesas com transferências constitucionais, os créditos extraordinários, as despesas com realização de eleições e os gastos com o aumento de capital de empresas estatais não dependentes não entram no cálculo do teto de gasto.

Gráfico 6. Acompanhamento do Cumprimento do Limite de Gasto

Acumulado até junho - R$ bilhões - Valores Correntes

Fonte: Tesouro Nacional. Elaboração: Gepec.

Setor público

O Setor Público Consolidado apresentou déficit primário de R$ 14.4 bilhões no acumulado do ano, composto por déficit de 28.7 bilhões do Governo Central, déficit de R$ 13.3 bilhões dos Governos Regionais e superávit de R$ 1.1 bilhões das Empresas Estatais.

Gráfico 7. Acompanhamento da meta de Resultado Primário

Acumulado até junho - R$ bilhões - Valores Correntes

Fonte: Banco Central. Elaboração: Gepec.

Gráfico 8. Déficit Primário do Setor Público

Acumulado 12 Meses - % PIB

Fonte: Banco Central. Elaboração: Gepec.


Até junho, o Déficit Nominal atingiu 6.49% do PIB, contra 7.52% do PIB no mesmo período de 2017. Já a Dívida Bruta do Governo Geral cresceu 3.18 ponto percentual (em relação a Dez/16), os juros nominais acrescentaram 3.07 pontos percentuais à DBGG, enquanto o crescimento do PIB aliviou em 1.46 ponto percentuais.

Gráfico 9. Déficit Nominal do Setor Público 12

Acumulado em 12 meses até junho - % PIB

Fonte: Banco Central. Elaboração: Gepec.

Gráfico 10. Dívida Líquida do Setor Público e Dívida Bruta do Governo Geral

Em % PIB

Fonte: Banco Central. Elaboração: Gepec.


Espera-se que em 2018, tanto a DLSP quanto a DBGG continuem sua trajetória ascendente, atingindo 55,0% e 74,8%, respectivamente, no final do período, de acordo com estimativas da COGEP. Ressalta-se que o deflator implícito do PIB tem uma influência relevante nas projeções de endividamentos, e por conta das incertezas do comportamento dessa variável, as simulações apontam que a DBGG pode ficar até 2 p.p do PIB acima por conta do deflator.

Prisma Fiscal do Ministério da Fazenda

O Prisma Fiscal é um sistema de coleta de expectativas de mercado elaborado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) para acompanhar a evolução das principais variáveis fiscais brasileiras. No relatório de julho, a mediana das expectativas de mercado para a Receita Líquida do Governo Central foi de R$ 1,217 trilhão (recuo de 0,02% em relação às expectativas do mês anterior). A mediana das expectativas para a Despesa Total do Governo Central foi de R$ 1,366 trilhão (redução de 0,06% em relação às expectativas do mês anterior). O Resultado Primário do Governo Central esperado é déficit de R$ 149,6 bilhões e espera-se que a DBGG encerre o ano em 76%.

Fonte: Secretaria de Política Econômica




Conjuntura Política

Calendário Eleitoral

A Lei 9.504/1997 dispõe sobre o processo eleitoral. Ela determina que a escolha dos candidados pelos partidos e a deliberação sobre coligações deverão ser feitas de 20 de julho a 05 de agosto, sendo que o registro dos candidatos deverão ser solicitados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto. A Justiça Eleitoral decidirá sobre os pedidos até 17 de setembro.

A escolha dos candidatos pelos partidos ou a formação das coligações são feitas de acordo com as normas constantes nos próprios estatutos de cada partido.

Gráfico 11 Principais datas - Eleições 2018

Fonte: TSE. Elaboração Gepec

Convenções Partidárias

As convenções partidárias são uma exigência da legislação e é onde as legendas escolhem seus candidatos e definem as coligações. Os partidos políticos têm autonomia para defnir os critérios de seleção dos filiados para concorrer aos cargos em disputa a cada ano eleitoral.

Até o momento, Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PSL), Henrique Meirelles (MDB), Manuela D´Ávila (PC do B), Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU), José Maria Eymael (DC) foram confirmados por convenções de seus partidos. Por outro lado, Rodrigo Maia (DEM), Michel Temer (MDB), Fernando Collor (PTC), Flávio Rocha (PRB), entre outros, desistiram oficialmente de suas candidaturas, reduzindo a enorme lista de pré-candidatos ou postulantes ao cargo que vem sendo ventiladas desde o ínicio do ano.

O PSL, que tem Jair Bolsonaro como candidato a presidente, não fechou alianças com partidos de maior porte até o momento, tendência esta que deve ser mantida. A estimativa, é que seu partido contará com apenas 0,5% do tempo de propaganda gratuita na TV. Marina Silva (REDE), cuja candidatura deverá ser confirmada na convenção de seu partido em 04/08, sinalizou aliança com o PV, que indicará Eduardo Jorge para Vice. Conjuntamente, contarão com 2,15% do tempo de TV. O tempo de TV de Ciro Gomes, que não conseguiu selar aliança com o PSB, é de 3,8% do total. Por sua vez, Geraldo Alckimin (PSDB) conta com o apoio oficial do DEM, PP, PR e PRB. Com isso, a coligação contará com 25,9% do total do tempo de TV.

Gráfico 12. Tempo de TV por Coligação/Partido

Partidos Tempo TV (%)
PSL 0.5
PSOL/PCB 1.4
Rede/PV 2.2
PDT 3.8
MDB 11.7
PT 12.2
Partidos s/ Pré Candidatos 21.3
PSDB/DEM/PP/PR/PRB/PTB 31.6

Fonte: Câmara dos Deputados. Elaboração Gepec


Tabela 6. Calendário das Convenções partidárias

Data Partidos
20/07 PSC/PCB/PDT
21/07 Patriota/PMN/Avante/PSOL
22/07 PSL
28/07 PTB/PSDC/PV
01/08 PCdoB/
02/08 DEM/PP/MDB
04/08 Podemos/PT/PSDB/Rede/Novo/PPS
05/08 PSB/PRTB

Fonte: Partidos Políticos. Elaboração Gepec

E o Lula?

Cabe ao TSE decidir sobre os pedidos de registro para Presidente e Vice-Presidente da República. A resolução 18/2017 detalha os procedimentos e prazos sobre a escolha e registro dos candidatos para a eleição.

O PT fará sua convenção no dia 04/08 e deve oficializar Lula como candidato, cujo pedido de registro junto à Justiça Eleitoral deve ser apresentado até dia 15/08. Não há nada na legislação atual que impeça que o pedido de registro seja feito. Protocolado o pedido, a patir do dia 16, os partidos políticos podem começar oficalmente a campanha por comícios, debates, outdoors, etc, com o nome de Lula.

O TSE, instância que são julgados os pedidos de registros de candidaturas à Presidente da República, terá até 17 de setembro para definir a situação de Lula. Essa decisão pode ocorrer no dia 16 de agosto ou no dia 17 de setembro respeitados os direitos da defesa, por meio de recursos. Segundo a resolução citada acima, os pedidos de registros devem ser indeferidos quando o candidato for inelegível, sendo que tanto a inelegibilidade quanto o pedido de registro devem ser julgados em uma única decisão. Além disso, o relator do processo poderá decidir monocraticamente. Enquanto os recursos não estiverem esgotados no TSE, o candidato pode efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral. Findado os recursos cabíveis no TSE, o candidato ainda poderá interpor recurso extraordinário ao STF.

Se a decisão do STF for pela inegibilidade de Lula, será facultado ao PT apresentar seus substituto em até 10 dias depois da notificação judicial e 20 dias antes do pleito. Por fim, é possível que a fotografia e o nome de Lula estejam na urna, caso a substituição seja feita após a geração das tabelas para a elaboração da lista de candidatos, no entanto, atribuimos pequena probabilidade que isso ocorra, já que as decisões do judiciário em relação ao Lula tem sido bastante tempestivas.